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Indefinindo-me a vida

Como viver sem definir as coisas? Como viver sem absolutizar? Quero escrever sem definir, mas sem me omitir. Quero escrever revelando as aberturas. Consciente da ação de escrever: uma opção de compreensão e atuação. Pelo menos por enquanto. 

Somos míticos?

Base das religiões e das ciências: procurar uma forma de definir e explicar todos os processos da realidade. Precisamos mesmo dessa mitologização do real?

Há algo absoluto debaixo do absurdo Sol?

Se há algo absoluto, sempre presente em tudo, este absoluto é a confusão, a aleatoriedade, a incontrolável transformação. O mundo humano, cheio de sentidos, é, claramente, um absurdo, mas que nos permite operar: é pelo absurdo que vivemos; é impondo nossa própria visão de ordem para poder viver o caos. Mas o caos é o caos.  Nós criamos nossas formas de perceber o mundo e, assim, aquilo que podemos ser a partir de nossas percepções. Criamos sentimentos, valores, conhecimentos, que nos fazem ser o que somos. Nós é que nos criamos. Eis um criacionismo válido. Nossas verdades são verdades por partirem do mesmo ser que as coloca em julgamento. Até o próprio “eu” é uma criação da mente, e pode ser profundamente transformado várias vezes durante a vida. O “eu” também não existe de fato. Quem sou eu? Posso ser vários. Posso ser um? Posso ser um de cada vez? Posso ser muitos sempre? Chamam de Deus uma extensão, em escala universal, de nosso absurdo pessoal. 

Um vegano na festa (Crônica, 2009)

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- Mas eu não como muita carne. E mais peixe. Conheci Pedro em uma festa e essa foi a última frase que me dirigiu. Por que obtive tal resposta, eu não sei. Estava apenas respondendo sua pergunta sobre o porquê de não achar eticamente correto se alimentar de animais. Ou melhor, tratar os animais como propriedade, cercear suas liberdades, impor-lhes sofrimento. De qualquer forma, essa foi a última frase que me dirigiu. Talvez tenha estranhado meu longo silêncio. Demorei pra responder ao Pedro pois tentei entender o que significa “não muita”. Dizem que em uma cadeia americana um colega de corredor de Charles Manson jurava ser mais nobre por ter matado três pessoas a menos. O carcereiro, ouvindo, os achava demoníacos. Quando queria alguém morto, pagava por serviços profissionalmente estabelecidos. Não seria certo matar com as próprias mãos. Às vezes, sim, precisava executar poucas pessoas, mas sempre por mandato das instâncias governamentais superiores. Legalmente correto, o que não car...

Resistências incorporadas

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  Há uma porrada de meninas de 11 anos de idade se prostituindo pelas estradas do país.  Doenças da Roche, alimentação da Monsanto, informação da Uol-Time-Warner-Google-Wikipedia-Globo-Fox.... Na cotidianidade, fés cegas ou míopes.  Resistências incorporadas. Tentativa de salvação pelo consumo: doutrina da mitologia da contemporânea civilização. O Mercado Salva!   Dão-te jogos, álcool, drogas, prostituição, falsa-comida. E estás com problemas? O Mercado Salva! Tome um curso técnico, faculdade profissionalizante.  Um Emprego.  Tome uma religião. Tome mais isto. E seja feliz. Na dor. (Excerto do prefácio do primeiro volume do Zine-livro Escritos Éticos & Picaréticos)

Um projeto ousado

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Precisa-se manter a compaixão, mas sem ser solidário com a miséria. Somos um projeto ousado. Há que se reconhecer. Um projeto ousado. Talvez não tenhamos dado certo, é verdade, mas fomos um projeto ousado. É preciso algum respeito. Tento não ser pessimista nem panaca. (Excerto do prefácio do primeiro volume do Zine-livro Escritos Éticos & Picaréticos)

Críticas ao conceito de natureza, ao ambientalismo e ao veganismo em tempos de capitalismo (2009)

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   CRÍTICAS AO CONCEITO DE NATUREZA, AO AMBIENTALISMO E AO VEGANISMO EM TEMPOS DE CAPITALISMO. Por que é que o sofrimento dos animais me comove tanto? Porque fazem parte da mesma comunidade a que pertenço, da mesma forma que meus próprios semelhantes.  Émile Zola Nota preliminar O presente ensaio é uma revisão de 2009 do ensaio escrito em 2005 intitulado “Reflexões sobre os movimentos “ambientalistas”, de “libertação animal” e “veganos”  sob a ótica do conceito de “natureza” em tempos de capitalismo” realizada para a publicação do zine-livro “Escritos Éticos & Picaréticos”. Introdução A proposta do presente artigo é discutir algumas questões referentes à prática vegana no mundo contemporâneo. O veganismo é um modo de viver que exclui o consumo de produtos advindos da exploração de animais. Isto é, advindos da posse e uso de animais para o interesse humano. Estende-se não só à alimentação, mas também às roupas, produtos de higiene ou limpeza, diversões, etc. Em ...