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Libertação 01 (Pseudohaikai, 2013)

Libertação 01 (PSEUDOHAIKAI) Dennis Zagha Bluwol, 2013 Sei que fui engolido. Tal qual Jonas, espero, Serei cuspido.

O Zen e a arte de enganar crianças (Crônica, 2013)

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- Fui até meu professor com nada e voltei com nada. - Por que se dar ao trabalho de ir ter com o professor, então? - De que outra forma eu saberia que fui com nada e voltei com nada? Conversa entre dois antigos mestres Zen Apresento uma experiência real: um modo de enganar crianças ao mesmo tempo em que as presenteia com algo nobre. Em suma, um texto sobre educação. Certa vez fui a uma festa infantil. Sem pensar muito, fui sem presente. Esqueci-me desse pequeno acordo social. Eis que a criança, coitada, ao me cumprimentar, manifestou seu pedido (nessa idade ainda temos a honra de ir direto ao ponto). De improviso, me resolvi... Estendi uma de minhas mãos fechada e disse: - Seu presente está dentro desta mão. Bata nela para abrir. A criança, claro, apesar de um pouco desapontada com o tamanho do presente, meio desconfiada, meio ansiosa, bateu. Abri a mão e, aí estava... o vazio! A criança me olhou com olhar perdido e emendei: - Isto aqui é um presente valiosíssimo: o vazio. Se você apre...

Manifestação contra a PEC 37 (Crônica, 2013)

Hoje, após encher o bucho em um caro e oleoso restaurante vegetariano de São Paulo, saí para uma caminhada pela Avenida Paulista. Eis que me deparei com uma horda patriótica em polvorosa, com suas buzinas, faixas, placas, cervejas e maquiagens verde e amarelas. Pois bem: resolvi então realizar um experimento jornalístico-sociológico com a massa: perguntar, com a maior inocência, para pessoas carregando placas contra a tal da PEC-37, tema do evento de hoje, o que seria este troço. Seleciono algumas das belas conversas que enriqueceram esta tarde de Sábado dantes nebulosa: O primeiro alvo foi um jovem universitário que distribuía um panfleto com um símbolo do Anonymous e, no verso, um logo contrário à PEC. Sua resposta: - Cara, minha mãe é delegada, tá ligado, e... cara, ela falou que é foda! O Ministério Público vai perder poder! A jovem seguinte: - Tipo... o judiciário... tipo... sabe? Eles vão proibir o Ministério Público de investigar os crimes. Só a polícia vai poder fazer. A um out...

Pseudohaikais urbanos (2013)

Pseudohaikais urbanos Dennis Zagha Bluwol, 2013 São Paulo: As dez mil latas Oprimem o meu caminhar. * No busão, Entre trombadas e aperto, Relembro que não sou perfeito. * Alegria no busão: O motor Encobre o teu televisor. * Vizinha ausente. Esta noite, Meditarei em silêncio.

Galactolatria e Ecoveganismo (2013)

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Galactolatria e Ecoveganismo (2013) Publicada na ANDA em 16 de abril de 2013 Neste último dia 11 de abril, graças aos esforços do GEDA, Grupo de Estudos de Direitos Animais, pude assistir novamente após, creio, quase quatro anos, uma palestra da filósofa Sônia Felipe. Assistir uma palestra desta figura central na produção e divulgação de ideias ligadas à ética animal no Brasil revelou-se evento portador de dois pesos marcantes: um pelo conteúdo apresentado, obviamente – e isto será discutido logo abaixo –, o outro de teor emocional. Explico: Sônia é figura presente nos caminhos de meu veganismo desde seu início, quase dez anos atrás, e esteve na organização, junto com alunos e orientandos seus, do primeiro evento em que palestrei sobre um tema ligado aos animais em 2006 na UFSC em Florianópolis (Semana pela Abolição do Especismo). A experiência de trocar com outros vegano e palestrar sobre o primeiro ensaio que havia escrito alguns meses antes [1], assim como os elogios de Sônia para m...

Adolescentes, pássaros e uma sala de aula

Dois adolescentes conversando alto na aula de hoje. Peço pra se concentrarem. Começam a escrever. Aí dois pássaros começam a piar e cantar alto fora da janela. Um deles fala: " Esses pássaros estão falando mais alto que eu! ", ao que uma senhora responde: " mas é que eles estão felizes " e ele responde: " mas eu também! ". Pior que ele está certo. O que me resta falar?

Compaixão ou “Queimando até Morrer” (2012)

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    A argumentação abolicionista (pró-libertação dos animais das amarras criadas para eles pela humanidade) buscou, nas últimas décadas, estabelecer teorias plenamente racionais, manifestando certa esperança de, assim, conseguir convencer a todos. Focamos na argumentação racionalmente perfeita construída sobre estruturas lógicas aparentemente impecáveis. Assim sendo, deixamos de lado alguns termos que já foram comuns na história do vegetarianismo, como a compaixão. O que faz uma pessoa tornar-se vegana? Se fosse a simples compreensão dos argumentos lógicos, qualquer pessoa com habilidade cognitiva mediana, ao ser exposta a um panfleto vegano bem escrito, tornar-se-ia vegana, o que está muito longe de ser o caso. Os argumentos abolicionistas, parece-me, tocam aqueles que estão abertos para serem tocados. Há, neles, talvez, a presença de certos tipos de sensibilidade e de emoções. Mas e os demais? Como gerar uma mudança comportamental razoavelmente profunda, como é o caso do ve...