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Diálogo ao pé da cruz (poema)

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Diálogo ao pé da cruz Então obtiveste a cruz, menino da manjedoura. E, daí, olhas-me. Olho-te. O que fizeste? Dizem que andaste. Andaste e criaste com a Palavra… Não me embriaguei em Caná, Mas me emocionei na montanha. Oh, menino da manjedoura, Vi-te mais compassivo com demônios que com porcos. Ative-me ao realismo melancólico E, solitário, retirei-me. Agora, olhas-me. Sangras e olhas. Olho-te fixamente, menino da manjedoura. Olho-te e meus olhos perguntam: O que em ti nos cabe? Teu sangue, tua cruz ou teu deserto?                                          Dennis Zagha Bluwol, 2016

Concidadão Animal - para ver a fauna urbana

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A cidade é o reino da humanidade. Nela, os seres humanos são senhores. São eles quem a projetam, a constroem, estipulam o que deve existir e onde cada coisa deve ficar. A cidade é o resultado do suor da face humana, do desejo constitutivo do espírito humano de ser como um deus: nela, o ser humano é senhor e mestre da natureza, a transformando até o ponto de ser irreconhecível, a não ser por olhos mais treinados ou poéticos. Minerais tornam-se vigas de arranha-céus, placas de concreto ou janelas; troncos tornam-se bancos e mesas; restos de seres mortos há milênios, guardados sob a escuridão da Terra, tornam-se cabides, canetas e copos descartáveis; a amplidão do mundo sem caminhos torna-se ruas, avenidas e ruelas; a vastidão da vida vegetal torna-se decoração de calçadas e edifícios; a vastidão da vida animal torna-se churrasco. Mas há aqueles resistentes. Há aqueles que ousam ser tão habitantes da cidade como nós. Seres sempre presentes, lembrando, para os que ainda conseguem ver, que ...

O nada 02 (Poema, 2015)

O Nada 02 No início, havia o nada. Mas esse nada, Como tudo no Universo, Era incompleto. Na incompletude, havia algo,  Paisagisticamente insignificante, Mas com poder para o nada destruir. E o destruiu. No tudo fundado, A incompletude persiste, E o nada anda sempre à espreita. Dennis Zagha Bluwol, 2015

Nova abolição, nova ecologia, nova política (2014)

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Nota preliminar      Este texto foi escrito a pedido de membros da Sociedade Vegetariana Brasileira em 2014 para ser transmitido ao então candidato à presidência da República Eduardo Jorge. Como este é vegetariano e próximo a essa entidade, estavam então em diálogo para estabelecerem propostas para a questão animalista em sua campanha. Pediram-me textos para fornecer para ele e resolvi escrever este resumo de ideias presentes em textos anteriores tanto sobre a visão abolicionista em relação ao tratamento dos animais, quanto em relação à ideia do “verde”, nome do partido de tal candidato. Foi uma forma de, para além de fornecer informações, questionar também alguns pressupostos do ambientalismo tradicional (nota de 2019).   Nova abolição Uma das questões mais vivas e vanguardistas de nossos tempos é a de nossa relação com as demais espécies animais. Esse questionamento repercute em diversas dimensões de nossa vida, tais como nossos hábitos alimentares, de con...

Humanimalia (Poema, 2014)

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Humanimalia A perdição que se deu Para um humano é apogeu Pois controle e domínio São para ele fascínio. Alguns podem definir Os que estão a oprimir Mas apesar dos oradores Somos todos opressores. Sensualmente enredados Eternamente empanturrados Com a morte agonizante Dos animais arrebanhados.

O Nada 01 (Poema, 2014)

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O Nada 01 Dennis Zagha Bluwol, 2014 Sistemas de crença em colisão. Ora contemplo Ora esmaga-me O nada

O céu e o chão (Poema, 2014)

O céu e o chão Dennis Zagha Bluwol, 2014 Indelicadas e indecentes As máquinas voadoras são. O céu é o chão dos pássaros.