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Um comentário sobre "conteúdo versus inteligência" (2017)

Um comentário sobre "conteúdo versus inteligência"   Uma das falas mais comuns em cursos de formação de professores é que não devemos ser “conteudistas", mas sim ajudarmos os estudantes a desenvolverem “inteligências" (ou “habilidades cognitivas" ou “aprenderem a aprender").   Contudo, quando armazenamos uma informação ( conteúdo ) na memória de longa duração de nosso cérebro (no córtex), criamos novas conexões entre os neurônios já existentes (e não novos neurônios), ou seja, criamos mais vias de processamento cognitivo, tornamos nosso "hardware" mais eficaz, com maior capacidade de processamento, de comparação entre as informações já arquivadas ou entre as informações que já possuímos e novas informações que nos chegam pelas vias sensoriais, ou, em outras palavras, nos tornamos mais hábeis para lidar com ideias e com as informações que nos chegam do mundo externo (assim como de nossa própria mente), nos tornamos mais hábeis para produzirmos con...

Nota sobre o iluminismo

O iluminismo não  levou o mundo ocidental à iluminação. Livrou-nos de algumas penumbras, mas os becos sombrios persistem.

Insanidade (crônica, 2017)

Certa vez ouvi de alguns conhecidos espíritas que este mundo é um local de provações para nossa evolução; um tipo de hospital para nossas almas. Confesso que em alguns momentos achei esta visão possuidora de certo interesse. Refletindo melhor, no entanto, a visão do hospital parece-me incompleta. Talvez inocente.  Talvez sejamos, em realidade, um hospício. Todos aqui são insanos. Muitos, em alto grau. O insight de Jesus “eles não sabem o que fazem” ganha aí um interessante contorno (ainda que, de certa forma, a maioria saiba o que faz, o que faz com que, para além de um hospício, pareçamos muito com uma prisão psiquiátrica). Entre os insanos, alguns possuem lapsos de sanidade em meio à insanidade. Estes costumam ganhar a alcunha de sábios. Todo hospício tem seus professores e oradores, normalmente falando para ninguém. Dennis Zagha Bluwol, 2017

Caneca de Osso? Também tem! (Crônica, 2016)

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                         Uma aluna quis dar-me um presente de final de ano. Disse-me:           - Foi difícil escolher algo porque o senhor é vegano. Mas como o senhor está sempre bebendo café na aula, trouxe uma caneca .           Canecas me preocupam de antemão, dada a possível presença de chumbo. Levei-a para casa, onde li o texto presente em sua caixa. Material: bone china.           Pesquisando, descubro: tipo de cerâmica feita com 30 a 50% de cinzas de ossos de animais. Mais um exemplo da infinita sequência de aberrações e perversidades humanas. Meu presente especialmente escolhido para um vegano era feito de animais mortos, descarnados e incinerados. Em todas as partes, por todo canto, toda a violência dos sapiens resplandece.

Nota sobre as escolas

Todas as fábricas, quando param de produzir, dão férias coletivas. Menos as escolas.

Apenas mais uma manhã (Crônica, 2016)

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Hoje, mais um dia útil. Vou para o trabalho. Cedo. Seis da manhã. Cruzo municípios, como todo dia. Como todo dia, observo o mundo e sou obrigado a observá-lo. Na rodovia, meu dia inicia-se com um cão atropelado ao meio-fio. Morto. Paisagem cotidiana para quem cotidianamente circula em estradas. Sigo. Rádio ligado em uma estação de notícias. Entrevista com o criador de uma franquia de açougues gourmets. Impressionante como consegue falar com tanta tranquilidade de seus “negócios” sem a mais remota consideração sobre o óbvio fato de que seu “produto” são animais e que animais não são coisas inanimadas. Ele lembra, com orgulho, da postura de seu pai, pecuarista, que, em seu empreendedorismo diferenciado, possuía a nobre postura de olhar para o boi pensando na carne, não apenas no ganho de peso. Em seguida, outra entrevista. Um pesquisador que trabalha no desenvolvimento de uma vacina contra o vírus Zika relata objetivamente o processo da pesquisa. Haverá testes em ratos e primatas. Da jan...

Decisão do STF sobre a vaquejada: é hora de pressionar! (2016)

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Em sua decisão de derrubar a lei cearense que regulamentava a terrível prática da vaquejada, Marco Aurélio, ministro responsável pela relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal, órgão máximo da Justiça brasileira, disse, como justificativa para seu voto pela proibição da atividade: “ ante os dados empíricos evidenciados pelas pesquisas, tem-se como indiscutível o tratamento cruel dispensado às espécies animais envolvidas. Inexiste a mínima possibilidade de um boi não sofrer violência física e mental quando submetido a esse tratamento ”.Daí tira-se que gerar violência física ou mental a um animal, de acordo com o STF, deve ser proibido. A decisão do STF não pode passar em branco ou como apenas uma decisão particular. Se levarmos em consideração com seriedade a fala de Marco Aurélio, todas as práticas humanas mais comuns com animais devem ser proibidas. São inúmeras as terríveis práticas às quais animais são submetidos pela aparentemente inesgotável sede humana por modos de satisfaçã...