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Consumismo vegano - uma visão ecovegana (2020)

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Abolicionismo é a postura contrária à propriedade sobre entes sencientes. Veganismo é um conjunto de práticas decorrentes des se princípio direcionadas aos animais não-humanos.     Contudo, uma forma mais sutil de propriedade sobre os animais, é a propriedade sobre seus ambientes, o que, costumeiramente, gera uma série de impactos negativos sobre suas vidas e, não raramente, alta mortalidade.            Se expandirmos o foco do veganismo para além da existência ou não de animais mortos ou torturados no próprio produto a ser comprado e incluirmos o sofrimento e a morte de animais atingidos pelos impactos ambientais da produção de bens (proposta que defendo como a necessidade de um ecoveganismo - leia mais ), provavelmente deveríamos cortar ao máximo o consumo  de qualquer coisa . Um mercado vegano é preciso, obviamente. Precisamos nos alimentar, nos vestir etc. Contudo, é preciso tanto que tal mercado tenha o máximo pos...

O problema das posturas brandas no movimento vegano (2020)

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Uma das posturas atualmente presentes no movimento em defesa dos animais é a tentativa de criar imagens sociais mais positivas: substituir a imagem do ativista nervoso que põe o dedo na cara das pessoas e que causa discussões em todo jantar de família. É compreensível. Se se quer dialogar, não há como fazê-lo afastando as pessoas. Uma via para tal, seguida por parcela dos ativistas, é um tipo de abrandamento de discurso, uma tentativa de se escrever certo por linhas tortas, apelando-se para todo tipo de argumento paralelo à ética animal que “caia melhor” para quem não se preocupa com animais. A esperança é que, com essas iscas, as pessoas chegariam, de alguma forma misteriosa, ao coração da questão. Nessa esperança, usa-se todo tipo de argumento, como pretensos ganhos para a saúde, populismo pseudo-socialista, ambientalismo midiático ou o que convier. Entendo e aceito a importância de não ser agressivo no diálogo educativo com as pessoas. Quando faço trabalhos educativos sobre ética an...

Veganismo: do abolicionismo ao hedonismo (2020)

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Veganos não falam mais tanto assim de animais.  Veganos falam de detox, de dietas de astros da música pop, das novas opções de hambúrguer vegetal de um grande abatedouro, do novo  sanduíche lactovegetariano de uma rede de fast food de cadáveres grelhados no fogo desde 1954 e, especialmente, de qual “rolê vegano” haverá neste final de semana. Vegano quer se empanturrar. E isso basta.           Empresas exploradoras de animais percebem o fluxo do mercado e criam opções veganas. Veganos sentem-se gratos em fazer-lhes propaganda gratuita. Sites veganos divulgam a benesse. Grupos veganos a certificam. Veganos correm aos hipermercados, cruzam rapidamente o corredor dos cadáveres em exposição – quem sabe soltando um vaidoso “go vegan!” – atrás da grande novidade.           Veganos falam de rolês. Veganos têm muitas opções de rolês. Veganos podem se encontrar e curtir a life num rolê veg.  ...

Da casca sulcada (Poema, 2020)

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Da casca sulcada Dennis Zagha Bluwol, 2020 Para o sempre amigo Alberto Toda a paz da natureza sem gente Não era paz. Era indução. Assim sendo, daquele que isso disse, Encaixotei a impressão. Contradizendo a prosaica lógica E suas limitações ao espaço-tempo, Segue poeticamente, contudo, Habitando duplamente. Segue habitando a caixa, Cuja tampa o circunscreve, Mas ainda habita a noz Cuja casca ora escreve.

COVID-19: a pandemia do especismo

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  COVID-19: a pandemia do especismo Coronavírus são comuns em diversos animais, silvestres e domesticados. Algumas formas desse vírus podem chegar até nós, nos atingindo por via do contato com tais animais. “Contato”, no caso, é uma forma bastante branda de falar “exploração”, “tortura" ou “assassinato". Em 2002, conhecemos a Síndrome Respiratória Aguda Grave, a SARS, transmitida aos humanos por via do consumo (assassinato e ingestão) de animais silvestres (possivelmente da civeta-africana, também conhecida como gato-de-algália) na região de Guangdong, na China. Em 2012, conhecemos a Síndrome Respiratória do Oriente Médio, a MERS, transmitida aos humanos, provavelmente, por via da exploração de camelos. Em 2019, conhecemos a COVID-19, transmitida aos humanos por via do consumo de animais vendidos vivos em um mercado da China, no qual diversos animais silvestres costumam aguardar engaiolados e aprisionados para serem comprados ou assassinados. As causas dessas epid...

Da guerra (2020)

Da guerra Quando o som de uma voz adentra-me, torna-se parte de mim. Quando me oponho a ela, com quem guerreio?

Testes em animais: quebrando argumentos

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Testar substâncias, produtos e medicamentos em animais vivos tem sido o padrão da ciência e da indústria há muito tempo, gerando uma quantidade incontável de sofrimento físico e emocional para um número igualmente incontável de animais. Os argumentos em defesa dessa crudelíssima prática não variam muito em seu conteúdo. A seguir, rebato os principais deles. Argumento 01 – Animais não sofrem Esse argumento não é mais tão utilizado, pois apenas uma pessoa completamente ignorante em ciências e incapaz de observar animais com a mínima atenção ainda reproduziria, no século XXI, esse tipo de afirmação (e, portanto, a validade de sua opinião para a reflexão sobre este tipo de assunto seria nula). Contudo, esse argumento já foi utilizado por pessoas da estatura de Descartes, que argumentava que quando um animal geme, isso não seria uma queixa, mas apenas o ranger de um mecanismo funcionando mal. Sendo assim, vale elencá-lo. Além disso, ainda que apoiadores dos testes em animais possam não usar...