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Por que não sou verde?

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  Poucas coisas me parecem mais estranhas ao respeito que almejo em relação à natureza (esta ideia complicada) do que a defesa do verde. O que se esconde por trás desta aparente beleza verdejante, desta onda verde, desta obrigação de verdejar a alma propagandeada pelo ambientalismo antropocêntrico que se encontra como alicerce de grandes ONGs, encontros, congressos e grupos famintos por verbas para oficinas de educação ambiental? Por que “o verde”? Basta uma mínima olhadela com alguma atenção para o mundo e sua pluralidade de cores e seres para estranhar os discursos verdes. Verde, nestes discursos, é meio ambiente, esta estranha abstração homogênea, tão irreal que pretensamente controlável, apta para nossa tutoria. Uma mancha verde no nada, quase uma pintura abstrata. Verde, certamente, não é o molusco, a ave defecando sobre nossas cabeças, o inseto que ousa zumbir em nossos ouvidos, muito menos a vaca no matadouro, a galinha na gaiola ou o rato na gaveta de um laboratório. O mund...

Adam: a militarização dos animais (2011)

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“ Um animal que veste verde oliva, serve ao Exército e tem a cor marrom nos pés ”. É assim que a Força Aérea Brasileira considera Adam, seu novo cão paraquedista, que realizou seu primeiro salto neste dia 18/11/2011 [1] . Adam foi adestrado para realizar atividades como farejamento e patrulha, tendo sido já usado em operações militares como no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. No Brasil, praticamente todos nós, humanos do gênero masculino, ao completarmos 18 anos, somos obrigados a nos alistar no exército, experiência traumática para muitos, dada a aflição pela possibilidade de serem escolhidos. Essa experiência massiva é comumente exposta, socialmente aberta, propagandeada por grandes meios de comunicação em seus típicos chamados de “ jovem, entre para as forças armadas! ”. Contudo, algo pouco citado é o alistamento obrigatório de animais de outras espécies. É clássico, conhecido por qualquer pessoa que estudou História ou já assistiu filmes que retratam batalhas antigas, o uso...

Narrativas entre fronteiras e meandros

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  Deuses, religiões, ciências... Narrativas. Narrativas: fronteiras perceptivas. Com base em que se criam narrativas? Qual a abertura da narrativa para se transformar - remodelar fronteiras - quando novas questões e informações aparecerem? O que essas narrativas geram no comportamento e nas organizações sociais humanas? Quais meandros se permitem conter? O que fazem com as vontades humanas, com os desejos humanos? Como colocam os humanos em relação ao resto da natureza? Como relacionam os humanos ao resto do universo? Se começarem colocando-os no centro, no alto, cuidado! Deve ser mais uma de nossas ilusões de grandeza...

Não Mate!

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Poema-homenagem dedicado ao Não Mate! - Ação gráfica contra o especismo. Não mate! Duas palavras. Uma imagem. Desviando olhares No caminho padrão, Um dedo apontando outra mão. Não mate! Duas palavras. Associação. Uma imagem, erupção. Desenterra-se o horror No cimentado torpor. Não mate! Em imposto turbilhão, Duas palavras: percepção. Uma imagem remoendo a cognição. Dedo em riste, caminho em gestação.

A natureza contraditória da natureza naturalmente a matará?

Dos primeiros átomos às primeiras moléculas às primeiras células aos primeiros organismos aos primeiros vegetais aos primeiros animais ao ponto em que chegamos, inclusive a nós: que bela evolução e que triste fim. Que poder terrível nas mãos de tão terríveis seres (justamente por serem tão belos!).  A natureza contraditória da natureza naturalmente a matará?

O que é um rio? (2011)

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O que é um rio? O que é esta unidade, este “eu”, este objeto definido a que chamamos de rio tal ou rio tal? Aquilo que chamamos de “eu”, inclusive o nosso próprio, é uma construção mental, uma tentativa de eternizar elementos impermanentes, contextuais: memórias, pensamentos, projeções, humores, ambientes… Não seria então um rio “em si” uma ilusão? Não é um rio apenas um nome para a interdependência entre tudo o que o forma a cada momento? Nunca tomamos banho no mesmo rio duas vezes… Quem nunca ouviu a máxima atribuída a Heráclito? Um rio não é os peixes, águas, girinos, todos os tipos de animais, vegetais, fungos, bactérias, minerais etc.? E o peixe? Não é ele o seu alimento, sua casa, seus hábitos? Não são os elementos químicos que formam o peixe os elementos antes pertencentes a outros seres, a água, ao solo: ou seja, ao próprio rio? O corpo do morto peixe não será o corpo de novos seres? Não comporá a água? Não comporá o solo? Há um rio com peixe que não é peixe? Há um pei...

O tolo e o sentido (Haikai, 2011)

O tolo e o sentido (HAIKAI) Dennis Zagha Bluwol, 2011 Indignado tolo Indagou empedernido: Mas não faz sentido!