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O povo nas ruas (Micro-crônica, 2014)

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Quando um povo que passou a vida em frente à TV sai pra rua, a rua vira um programa de TV.

Olim Lacus Colueram

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Há algumas composições eruditas que alcançaram conhecimento popular, mesmo que boa parte das pessoas desconheça qualquer informação sobre tais obras, como autor, período ou intenções. Exemplos são a Primavera de Vivaldi, a Marcha Fúnebre de Chopin e a Marcha Nupcial de Felix Mendelssohn. Outra música que atingiu esse patamar é O Fortuna de Carl Orff (1895-1984), tantas vezes reproduzida em momentos em que se tenta criar um clima de mistério em programas de televisão e até mesmo em propaganda de biscoito. É uma pena que o conteúdo de sua letra, uma reflexão sobre a impermanência da sorte, não é também tão conhecido. “O Fortuna” integra a cantata cênica Carmina Burana (1936), obra composta por Orff a partir de alguns cantos anônimos medievais escritos por cultos clérigos que, além de talvez comporem hinos sacros, vagavam compondo canções que, muitas vezes, destilavam veneno e sátiras às hipocrisias da sociedade, à própria Igreja e exaltavam os prazeres do amor, da mesa e dos jogos. “ Boa...

Mais três pseudohaikais no busão (primeiro dia pós-férias)

Ante ao auto-falante Mais penso Em como era antes   *   Janela do busão Sol nascente Questiona-me o hábito   *   No correr da manhã, Qual necessidade é finalidade E qual finalidade é necessidade?

Nota sobre educação e corpo (2014)

Uma das questões mais discutidas atualmente em cursos de formação de professores é que a escola privilegia em demasia a educação das habilidades da mente e relega a educação de habilidades corporais. Resolvi escrutinar a mim mesmo para checar a acusação. Conclusão: há sentido: em mais de vinte anos vividos em nosso sistema educacional, a única habilidade manual que desenvolvi a contento foi a de enrolar cigarros.

As coisas da natureza (Poema, 2014)

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As coisas da natureza As coisas da natureza Não são coisas, São natureza. Coisas e natureza não nos afetam igualmente. Quanto às pessoas, Cabe escolher: Nos afetarem como natureza ou como coisa. Cabe a escolha ou a fusão. Dennis Zagha Bluwol Angkor, Camboja, 12/01/2014

A importância ética e cosmológica do conhecimento científico (2013)

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  A importância ética e cosmológica do conhecimento científico   As ciências, se bem entendidas (ou se bem mediadas, por um bom professor, por exemplo), podem nos dar o conhecimento necessário para que saiamos do centro do mundo, vejamos o mundo sem centros e atentemos para a incrivelmente enorme quantidade de redes de interdependências que formam aquilo que costumamos chamar de natureza.   As mudanças de escalas espaciais e temporais que conhecimentos científicos como a Astronomia, a Geologia, a Arqueologia, a Paleontologia, a Climatologia, a Antropologia, entre outros campos de investigação, podem gerar em nós, se bem vividas, podem nos induzir alterações cosmológicas profundas e fazer com que saiamos do “centro do mundo”.   Como ver-se no centro do mundo após uma boa mediação sobre a história e o tamanho do Universo, assim como sobre as distâncias astronômicas, a quantidade de estrelas e galáxias existentes e nossa localização periférica em apenas uma galáxia entr...

A mente e o mundo (2013)

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A mente e o mundo  O presente ensaio foi revisto e ampliado em 2023, e incorporado no artigo "Ensino de Geografia no Contexto das “Ciências da Natureza”: em busca de uma Educação Cosmológica Eticocêntrica", publicado no livro "Revisitando a teoria e prática a partir da formação de professores: programas PIBID e PRP" Quando observamos a maneira como as sociedades e os indivíduos se organizam - suas espacialidades e temporalidades expressas em suas paisagens -, estamos nos atentando, em realidade, para a maneira como tais pessoas vivem “o mundo” a partir do modo como o percebem e o enchem de significados, transformando mentalmente a miríade incontável de fenômenos e processos percebidos em algo com certa ordenação passível de ser vivida. Assim sendo, pode-se falar que há aí um caráter cosmológico, considerando que “cosmos”, termo usado primeiramente por Pitágoras, significa exatamente “ordem”, já que dependendo do modo como nossa mente está estruturada - ordenada - ...