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Veganismo: uma introdução racional

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  Veganismo: uma introdução racional Dennis Zagha Bluwol Introdução Diversos processos tradicionais de exploração e violência foram questionados nos últimos anos, décadas ou séculos. Quase todo esse esforço de aprimoramento ético foi, porém, restrito aos limites da espécie humana, ou seja, tratou apenas de processos violentos e injustos perpetrados contra outros humanos. A reflexão ética sobre as relações entre a humanidade e as demais espécies animais do planeta, contudo, transcende os limites de uma ética voltada apenas para humanos. Assim, talvez ela seja a questão contemporânea que mais força o alargamento da esfera de nossas preocupações morais. Tal reflexão aponta para a necessidade de se rever o  status  dos animais em nossas considerações éticas, e tal postura decorre, primordialmente, de um fato: a senciência neles presente. I - Senciência Senciência é a união entre a sensibilidade e a consciência. A sensibilidade está ligada à capacidade de se perceber o mundo (...

Nota sobre a ocultação das macróbias ciências

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Ao nobre professor Astromar, que me revelou o oculto e, adversamente, o empírico sentido do ato de educar. É de senso comum e democraticamente popularizada a opção automática e inequívoca pelo moderno. Tal fato, cuja obviedade aniquila e ridiculariza a necessidade de comprovação, resulta, entre tantas outras consequências empíricas, na ocultação, na metamorfose em vitupério ou até mesmo no absoluto olvidamento das antigas ciências. Quem, em moderna consciência, emprestaria seus ouvidos com mais ênfase à Alquimia do que à Química ou à Psicologia do que à Neurociência? Contudo - e é no contudo que resiste o Ser -, sob o risco de violação das mais fundamentais leis da lógica, não há como se afirmar, com certeira e óbvia certeza, que o hodierno e corrente deva sempre superar ou renegar, como se fosse esta uma lei cósmica, o avelhantado e matusalênico. Almejando a poupança de nossa rarefeita energia vital - mais uma característica corriqueira da moderna era -, dar-nos-emos o direito de expr...

Sobre a contemplação do atemporal e do anespacial

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Um questionamento comum no imaginário daqueles que estudam o modo como nosso Universo veio a existir por via do Big Bang é sobre o que haveria antes do Universo. A resposta dominante entre os estudiosos de astronomia ou de cosmologia é que tal pergunta não é cabível, pois só é possível falar em algum “antes” a partir do Big Bang, haja vista que o tempo nasceu nesse momento e é limitado às fronteiras do Universo. Seguindo a mesma linha de raciocínio, podemos conceber igualmente que perguntas sobre o que haveria fora do Universo também não seriam cabíveis, pois o espaço igualmente nasceu com o Big Bang e é limitado às fronteiras do Universo, o que faz com que noções espaciais como dentro e fora apenas possam existir no interior de tais limites. Assim sendo, o espaço e o tempo existem apenas no Universo, dentro de suas fronteiras ainda em expansão. Abre-se, por conseguinte, duas possibilidades: a primeira é a de que fora ou antes do Universo haveria uma inexistência absoluta de realidade....

Sobre a degradação da crítica e da ética pela corrupção da linguagem

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Sobre a degradação da crítica e da ética pela corrupção da linguagem A subversão da crítica             Em seu significado mais original e verdadeiro, uma crítica é uma separação: fazer uma crítica é realizar distinções sobre aquilo que se está percebendo (a origem latina do verbo discernir é a mesma do verbo grego de onde sai o termo crítica [1] ). Assim, a crítica pode ser entendida como um julgamento, uma apreciação minuciosa de algo. Isso significa que para que se alcance o centro do exercício da crítica - a comparação que leva ao discernimento - é essencial que se consiga reconhecer e relacionar diversos aspectos das questões, diversos posicionamentos e interpretações possíveis, de forma que se perceba seus detalhes, suas nuances, seus meandros e suas semelhanças e diferenças internas e externas.             Fazer uma crítica, portanto, é uma ação - verbo - e algué...

Epistemologia Hídrica

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  O que segue é uma proposta sobre como estruturarmos o modo como percebemos e organizamos os fenômenos do mundo, ou seja, sobre como devemos pensar sobre o mundo e sobre nossas ações. Assim sendo, trata-se de uma proposta epistemológica. 1 - Margens Para qualquer assunto que direcionamos nossa atenção, faz-se necessário checar os limites dos limites estabelecidos. Trata-se de uma postura de constante vigilância das fronteiras. Isso significa que devemos sempre checar os limites do que entendemos, acreditamos ou defendemos, o que acarreta: Alargá-los, quando se mostram sufocantes e não respondem mais ao avanço do pensamento coerente;  Observá-los mais atentamente, quando nossas práticas não respondem ao tamanho do arcabouço teórico que embasou tal limitação; e  Diminuí-los, quando os limites são gerados por teorias que mais oprimem e violentam do que ordenam. Tal movimento estabelece as margens (limites/fronteiras) daquilo que aceitamos estar dentro do curso do pensamento...

Cosmologia budista, ecologia, política e ética: conexões e cuidados

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  Introdução: uma cosmologia centrada em três aspectos Para pensar em transformações na maneira como experienciamos o mundo, almejando aprimoramentos no modo como vivemos e construímos nossos lugares, cabe pensar sobre quais características gostaríamos que configurassem nossa noção de mundo – quais aspectos cosmológicos gostaríamos de privilegiar. Para isso, cabe realizar exercícios de percepção, observação e imaginação e, ao mesmo tempo, aventurar-se em estudos de cosmologias diversas. O que se segue é um princípio de esforço em tal sentido. Uma cosmologia que nos fornece alguns pressupostos cosmológicos importantes é a budista [1] . Nela, questões como a impermanência, a interdependência, a coexistência e a atenção ao sofrimento de todos os entes são fundamentais . Nos termos budistas, há três características inerentes a tudo o que existe: tudo é impermanente ( anicca ), tudo é insubstancial ( anatta ) e tudo é insatisfatório e carrega o sofrimento ( dukkha ). Analisemo-las: Anic...

A Contribuição das Ciências para o Aprimoramento Ético da Relação entre Humanidade e Natureza (Monografia da especialização em Ciência e Tecnologia - UFABC, 2021)

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A Contribuição das Ciências para o Aprimoramento Ético da Relação entre Humanidade e Natureza  Monografia da especialização em Ciência e Tecnologia UFABC, 2021 Link:  https://drive.google.com/file/d/1QY7rvwK5z0xwCxVhrAufRVfEWBbf4p1I/view?usp=share_link