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Alguns jovens à procura de solução

- Ficamos aqui dando murro em ponta de faca tentando resolver os problemas criados pelas instituições urbanas estando dentro das instituições e do urbano.  - Pois é... Acho também que a solução pros problemas urbanos está no campo, e que deveria ir pro campo ajudar a construir algo. - Mas, ao mesmo tempo, penso que a grande maioria das pessoas não tem como largar esse mundo e ir pra uma ecovila, por exemplo, não só por não querer, mas por falta de condições mínimas. - Mas, ao mesmo tempo, se alguns não começarem a criar no campo condições e estrutura para que as pessoas comecem a poder sair daqui mais tranquilamente, nunca vai acontecer. - Mas, ao mesmo tempo, as pessoas não detectam hoje a raiz dos problemas, é preciso ter educação no urbano pra ajudar a criar novas consciências, novos valores, novas necessidades, novos modos de conviver, de se relacionar. - Mas, ao mesmo tempo, 

Toque aqui (Poema, 2010)

Toque aqui Dennis Zagha Bluwol, 2010 Toque aqui Onde teu toque recusa-se. Do amor possível, É esta a paz possível. Escárnio de urbana alma Floresce. Frutifica. Exalta o pó contido No nó do existir opaco. Da fenda do asfalto Desperta o broto em riste, Rasgando o céu cinzento Da urbe ensanguentada.

Sobre os traficantes da espiritualidade

  Vendem Deus como se vende a uma droga: algo externo que, ao ser engolido, leva ao êxtase e ao fim dos problemas. (Seriam certos membros das instituições religiosas vendedores de "ácido litúrgico"?) Isto é uma péssima leitura da espiritualidade humana, que embasa um tipo de mundo igualmente nefasto. O tipo de droga vendida vai mudando para se adequar ao status quo de cada época. Já que, atualmente, o status quo é o da esperança de salvação imediata no consumo de produtos e ideias e no comportamento-espetáculo, é assim que as igrejas se portam. Mas, em essência, para além da variedade da droga de cada época, o controle é a matéria-prima central desde sua origem: repressão, hierarquias, manutenção de injustiças, naturalização do sofrimento, violências mentais e corporais, guerras… Não há, nelas, apologia real da não-violência. Não há a pretensão de fundar, de fato, concretamente e materialmente, uma sociedade de pessoas boas, amáveis, com justiça e felicidade. Es...

Percepções unitárias (Poema|Questões, 2010)

Percepções unitárias Dennis Zagha Bluwol, 2010 Mais perto do solo está a formiga. Anda, carrega, Mas enche a barriga. * Galho sem tronco é tronco? Tronco com folhas é galho? * Para o galho que sobe com o tronco, Há importância a altura das aves? * Para quem passa e não vê, Há importância a altura do tronco? * Há peixe de rio que não seja rio? Há rio com peixe que não seja peixe?

O veganismo independe de argumentos ambientalistas

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Um dos eixos mais comuns de argumentação em defesa do vegetarianismo e do veganismo, no que se refere principalmente ao consumo de carnes, é o imenso impacto ambiental gerado pela pecuária. É um fato inquestionável. Os números são alarmantes. Contudo, vale ressaltar que mesmo que a pecuária resolvesse, magicamente, todos os impactos que gera, isso em nada diminuiria a obrigação moral de sermos veganos. Não ter escravos não depende da quantidade de consequências adversas que este ato gera, mas sim do quão horrendo esse ato é. Vale um exemplo: recentemente assisti a uma entrevista com um climatologista. Quando perguntado sobre as relações entre a pecuária e o aquecimento global (haja vista que os gases emitidos pelos animais, na concentração em que se encontram em criadouros, são associados ao fenômeno de forma até mais considerável que nossos meios de transporte e que parte considerável dos desmatamentos atuais possuem como objetivo abrir espaço para a criação de gado ou o plantio de ce...

Veganismo e Ambientalismo: aproximações, conflitos e a necessidade de um ecoveganismo

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              Uma das maneiras de se justificar socialmente a emergência ética do veganismo é expondo os impactos ambientais calamitosos da dieta centrada no consumo de animais. Assim sendo, por vezes a opinião pública associa o veganismo como uma forma de ambientalismo, o que não é fato. O presente ensaio pretende traçar algumas fronteiras entre essas duas abordagens e propor a necessidade de um ecoveganismo. 1 - Veganismo não é ambientalismo O fato que embasa o veganismo e as teorias sobre direitos dos animais é o de que os animais são seres sencientes – são capazes de sofrer - e, portanto, são merecedores de respeito como indivíduos . O veganismo é, assim, de natureza muito diversa da do ambientalismo, cuja forma dominante é de bases coletivistas , o que significa que ele concentra suas preocupações nas espécies e ecossistemas, importando, principalmente, as relações entre seres, o número de indivíduos em uma certa reg...

Ética libertária interdependente: libertação animal, ecoveganismo, saúde e libertação humana (2010)

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Ética libertária interdependente: libertação animal, ecoveganismo, saúde e libertação humana (2010) Nota preliminar (2020):  Entre 2009 e 2010, ampliei e modifiquei parte das ideias centrais de meus primeiros ensaios sobre veganismo, desenvolvendo as ideias de uma ética libertária interdependente e de que precisaríamos pensar em um ecoveganismo. Tais ideias fundamentaram então minhas palestras e meus textos pelos anos seguintes, nos quais tentei traçar conexões e antagonismos entre o veganismo e o ambientalismo. 1 - Expandindo o veganismo Uma ideia é cada vez mais comum em nossa sociedade: a necessidade ética de se relacionar com os animais não humanos como indivíduos merecedores de liberdade e respeito, ou seja, que convivamos com eles não como mercadorias ou instrumentos para as vontades humanas, mas como seres merecedores do mesmo direito que nós de viverem suas vidas de acordo com seus interesses, sem serem explorados, escravizados, torturados ou assassinados. A crítica ao m...