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A natureza contraditória da natureza naturalmente a matará?

Dos primeiros átomos às primeiras moléculas às primeiras células aos primeiros organismos aos primeiros vegetais aos primeiros animais ao ponto em que chegamos, inclusive a nós: que bela evolução e que triste fim. Que poder terrível nas mãos de tão terríveis seres (justamente por serem tão belos!).  A natureza contraditória da natureza naturalmente a matará?

O que é um rio? (2011)

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O que é um rio? O que é esta unidade, este “eu”, este objeto definido a que chamamos de rio tal ou rio tal? Aquilo que chamamos de “eu”, inclusive o nosso próprio, é uma construção mental, uma tentativa de eternizar elementos impermanentes, contextuais: memórias, pensamentos, projeções, humores, ambientes… Não seria então um rio “em si” uma ilusão? Não é um rio apenas um nome para a interdependência entre tudo o que o forma a cada momento? Nunca tomamos banho no mesmo rio duas vezes… Quem nunca ouviu a máxima atribuída a Heráclito? Um rio não é os peixes, águas, girinos, todos os tipos de animais, vegetais, fungos, bactérias, minerais etc.? E o peixe? Não é ele o seu alimento, sua casa, seus hábitos? Não são os elementos químicos que formam o peixe os elementos antes pertencentes a outros seres, a água, ao solo: ou seja, ao próprio rio? O corpo do morto peixe não será o corpo de novos seres? Não comporá a água? Não comporá o solo? Há um rio com peixe que não é peixe? Há um pei...

O tolo e o sentido (Haikai, 2011)

O tolo e o sentido (HAIKAI) Dennis Zagha Bluwol, 2011 Indignado tolo Indagou empedernido: Mas não faz sentido!

História sem Fim

História sem Fim O que há com esta gente? Quinta-Feira. Foi com esta ideia que acordou para mais um renovador dia de trabalho. O que há com esta gente? O que há com esta gente?   Tetrapak. Sucrilhos. Bisnaga. Açúcar. Um cigarro. Larga a adolescência e transforma-se em população economicamente ativa. Pão de forma com margarina. Algo relaxa o senso crítico. No ônibus relembra: o que há com esta gente?   Desde o desjejum meio cansado. Primeiro café. Açúcar. Dois cigarros. Todos insanos no escritório. O que há com esta gente?   Segundo café. Açúcar. Três cigarros. Terceiro café. Açúcar. Quatro cigarros. Quarto café. Açúcar. Cinco cigarros. Efetividade. Produtividade. Seis cigarros. Ansiedade. Açúcar. Depressividade. Açúcar. Maldade. Sete cigarros. Obesidade.   Lanche. Sexta-Feira. Almoço. Cigarros. Café. Açúcar. Rodízio. Janta. Sábado. Pizza. Chope. Cigarros. Prostituição. Chope. Cigarros. Chope.   Televisão tem futebol. Futebol tem religião.  Religião tem te...

Dor na felicidade: outra manhã

Contemplo o tempo necessário e me ponho a pensar sobre o que fazer nesta manhã. Feeling allright. Mas onde estão todos? O que há com esta gente? Penso em mim e sinto dor na felicidade. Sinto perda no encontro. Sinto saudade na completude. Fico, apesar.  Uma figueira de quinhentos anos localiza meu constante movimentar.

Prosaicamente fardada (Poema, 2011)

Prosaicamente fardada Dennis Zagha Bluwol, 2011 Prosaicamente fardada, Guerreia a espécie dos profetas. Mal compreendido o amor pela palavra, Mal vivida sua ausência Soterram-nos verdades, Mas o vital se esvai pelas fronteiras.

12189

 12189 Desde que mudei para cá, minha nova toca de concreto, preocupo-me com a existência daquele terreno baldio bem às vistas de minha janela, sabendo já do interminável ruído que em breve será minha vida nesta cidade em constante construção. Nesta preocupação, digna da humana arrogância, não vi. Duas árvores, solitárias, em meio à terra pelada, batida, exposta. Terraplanada como nossos sentidos. Esta manhã – como que por uma preparação cósmica, lendo De Profundis – invadiu minha sala um motor. Tentando localizar o displicente motoqueiro, eis que vejo três homens. E sua serra. Ao olhar, a primeira, já praticamente decepada, revelou-me a tragédia da queda. * Ontem li que entre 1º de janeiro e 30 de abril, 12.187 árvores foram assassinadas em São Paulo. Mais duas. Prossegue assim o processo de empedramento da existência. Como um exemplar da espécie, lamento. De meu apartamento.   Quarta-feira, 1 de junho de 2011