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A coletividade sob ataque

 O que o individualismo ainda não conseguiu detonar na coletividade, o coletivismo conseguirá.

Unidades e Centalidades (2012)

Sim, há dualidades. Há também trialidades, Quadralidades, pentalidades, Por vezes octalidades, nonalidades, Às vezes até centalidades. E, ainda assim, há também unidades. Há quem rejeite a unidade por haver centalidades E quem rejeite até mesmo dualidades para poder haver unidade. Aquele que estranha coexistir unidade e centalidade sofre de dualismo crônico ou pós-modernismo agudo.

Geobusca

Geobusca  I Um perambulador urbano. Habitante de uma das maiores metrópoles do mundo. Amava perambular. Mas algo o incomodava. Algo não estava certo. Algo o perdia. Não que não soubesse os caminhos. Sempre perambulava pelos mesmos lugares. Sabia muito bem onde estava, mas estava perdido. Angustiantemente perdido. Estava, de fato, em seu lugar. Sua cidade. E se sentia parte dela. Sempre se sentiu, mesmo nos momentos de “um dia eu saio dessa cidade” ou de “chega, vou virar bicho do mato”. Mas ela parecia não fazer parte dele do mesmo modo que ele fazia parte dela. Constantemente era tomado por sentimentos indefiníveis pela prosa científica. Sua existência era preenchida pelo vazio e pela consequente tentativa de escondê-lo com um lenço de subterfúgios.  II Passo nove horas por dia deitado, doze sentado e três de pé. Ou algo próximo disto. Há animais adaptados para cada ambiente. Vivo a cidade como um peixe fora d’água. Acho que me roubaram as brânquias e me obrigaram a comprar u...

Pseudohaikai ecológico (2012)

Pseudohaikai ecológico Dennis Zagha Bluwol, 2012 Manhã calminha. Passarinho bonitinho Esmigalha a minhoquinha

Lar

Lar Doce lar Amarga cidade

Por que não sou verde?

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  Poucas coisas me parecem mais estranhas ao respeito que almejo em relação à natureza (esta ideia complicada) do que a defesa do verde. O que se esconde por trás desta aparente beleza verdejante, desta onda verde, desta obrigação de verdejar a alma propagandeada pelo ambientalismo antropocêntrico que se encontra como alicerce de grandes ONGs, encontros, congressos e grupos famintos por verbas para oficinas de educação ambiental? Por que “o verde”? Basta uma mínima olhadela com alguma atenção para o mundo e sua pluralidade de cores e seres para estranhar os discursos verdes. Verde, nestes discursos, é meio ambiente, esta estranha abstração homogênea, tão irreal que pretensamente controlável, apta para nossa tutoria. Uma mancha verde no nada, quase uma pintura abstrata. Verde, certamente, não é o molusco, a ave defecando sobre nossas cabeças, o inseto que ousa zumbir em nossos ouvidos, muito menos a vaca no matadouro, a galinha na gaiola ou o rato na gaveta de um laboratório. O mund...

Adam: a militarização dos animais (2011)

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“ Um animal que veste verde oliva, serve ao Exército e tem a cor marrom nos pés ”. É assim que a Força Aérea Brasileira considera Adam, seu novo cão paraquedista, que realizou seu primeiro salto neste dia 18/11/2011 [1] . Adam foi adestrado para realizar atividades como farejamento e patrulha, tendo sido já usado em operações militares como no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. No Brasil, praticamente todos nós, humanos do gênero masculino, ao completarmos 18 anos, somos obrigados a nos alistar no exército, experiência traumática para muitos, dada a aflição pela possibilidade de serem escolhidos. Essa experiência massiva é comumente exposta, socialmente aberta, propagandeada por grandes meios de comunicação em seus típicos chamados de “ jovem, entre para as forças armadas! ”. Contudo, algo pouco citado é o alistamento obrigatório de animais de outras espécies. É clássico, conhecido por qualquer pessoa que estudou História ou já assistiu filmes que retratam batalhas antigas, o uso...