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Educador vegano: a contemplação do hedonismo

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  Educador vegano: a contemplação do hedonismo Desde que me tornei vegano em 2003, passei a expor para as pessoas, de modo racionalmente concatenado, o absurdo que é o tratamento dado aos animais pela humanidade, revelando o que está oculto por trás do bife, do omelete ou do milk shake. Argumento sobre a senciência, o sofrimento e a escravidão. Mostro imagens e vídeos que revelam o grau insano da tortura perpetrada pela humanidade a cerca de um trilhão de animais todos os anos. O resultado: a quase totalidade das pessoas, após entenderem meus argumentos ou olharem para os rostos de animais agonizantes em fotos e vídeos, em nada mudam seus hábitos. Tais pessoas deixaram de ignorar a crudelíssima realidade dos animais escravizados pela humanidade: agora praticam o mal conscientemente. Sim,  eles sabem o que fazem. Conheci, inclusive, pessoas que foram veganas, e até ativistas, tornarem-se ovolactovegetarianas sabendo perfeitamente todo o sofrimento em jogo no leite e no ovo. Con...

Morrer ou morrer? A vida de um frango (2018)

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Duas opções:   a) Ter sido criado como coisa para ser assassinado após a engorda, caso não morra de fome ou sede na estrada, apinhado dentro de uma caixa plástica, em meio a outras tantas caixas plásticas, sob o Sol do Brasil, sendo transportado para o abatedouro.   b) Ser “sacrificado” antes da hora planejada por falta de condições para seguir a criação até o momento do abate e da venda do corpo.              Qual é a pior? Esse é o limite das possibilidades, escancarado em situações de “sacrifício” em massa de animais, tais como durante a greve dos caminhoneiros de 2018 ou em epidemias de doenças em animais. Os produtores, olhando para tal quadro, lamentam a perda produtiva. Para os frangos, contudo, a tortura independe do quadro.

Tradição e moralidade: simulacros éticos (2018)

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 Tradição e moralidade: simulacros éticos O papel das tradições em nossos comportamentos individuais e coletivos é comumente e constantemente um ponto de tensões. Por um lado, é por via das tradições que aprendemos o que a humanidade já construiu, já pensou e já viveu. Por outro lado, as tradições podem manter vivas uma série de comportamentos reprováveis - e por vezes nefastos - que poderíamos já ter abandonado caso eles não fizessem parte de “pacotes” de ideias tradicionalmente estabelecidos, especialmente quando esses pacotes trazem consigo elementos que dificultam seu questionamento, como os que apelam ao medo de punição em caso de oposição ou mesmo de dúvida. É importante para qualquer ser humano conhecer os caminhos pelos quais nossa espécie já caminhou, apropriar-se deste histórico e se deixar influenciar pelas conquistas intelectuais, morais e materiais de nossos milhares de anos de história documentada. Contudo, é preciso haver cuidado para não se dogmatizar as tradições, ...

Os riscos da transdisciplinaridade (2018)

Os riscos da transdisciplinaridade   Almejamos pessoas que consigam olhar para a complexidade do mundo de forma não fragmentada. Muitos possuem como primeiro impulso o desejo de acabar com as disciplinas escolares. Esse movimento, contudo, pode gerar uma educação onde os estudantes, em nome de não dividir o olhar, não desenvolvem nenhum olhar.   Concordo com a necessidade de uma formação que tenha o objetivo de que consigamos ler o mundo sem os limites disciplinares, mas, para isto, é preciso que as escolas compreendam quais são as habilidades cognitivas essenciais de cada disciplina tradicionalmente existente, assim como quais são os conhecimentos básicos para nos inserirmos neste momento e local da história e da geografia humanas. Isso não pode se perder. Pode-se trabalhar com programas de ensino não disciplinares, mas esse âmago do processo educativo, sob o risco de não mais educar, não pode se perder.   Dennis Zagha Bluwol, 2018

Um comentário sobre "conteúdo versus inteligência" (2017)

Um comentário sobre "conteúdo versus inteligência"   Uma das falas mais comuns em cursos de formação de professores é que não devemos ser “conteudistas", mas sim ajudarmos os estudantes a desenvolverem “inteligências" (ou “habilidades cognitivas" ou “aprenderem a aprender").   Contudo, quando armazenamos uma informação ( conteúdo ) na memória de longa duração de nosso cérebro (no córtex), criamos novas conexões entre os neurônios já existentes (e não novos neurônios), ou seja, criamos mais vias de processamento cognitivo, tornamos nosso "hardware" mais eficaz, com maior capacidade de processamento, de comparação entre as informações já arquivadas ou entre as informações que já possuímos e novas informações que nos chegam pelas vias sensoriais, ou, em outras palavras, nos tornamos mais hábeis para lidar com ideias e com as informações que nos chegam do mundo externo (assim como de nossa própria mente), nos tornamos mais hábeis para produzirmos con...

Nota sobre o iluminismo

O iluminismo não  levou o mundo ocidental à iluminação. Livrou-nos de algumas penumbras, mas os becos sombrios persistem.

Insanidade (crônica, 2017)

Certa vez ouvi de alguns conhecidos espíritas que este mundo é um local de provações para nossa evolução; um tipo de hospital para nossas almas. Confesso que em alguns momentos achei esta visão possuidora de certo interesse. Refletindo melhor, no entanto, a visão do hospital parece-me incompleta. Talvez inocente.  Talvez sejamos, em realidade, um hospício. Todos aqui são insanos. Muitos, em alto grau. O insight de Jesus “eles não sabem o que fazem” ganha aí um interessante contorno (ainda que, de certa forma, a maioria saiba o que faz, o que faz com que, para além de um hospício, pareçamos muito com uma prisão psiquiátrica). Entre os insanos, alguns possuem lapsos de sanidade em meio à insanidade. Estes costumam ganhar a alcunha de sábios. Todo hospício tem seus professores e oradores, normalmente falando para ninguém. Dennis Zagha Bluwol, 2017