Postagens

As coisas da natureza (Poema, 2014)

Imagem
As coisas da natureza As coisas da natureza Não são coisas, São natureza. Coisas e natureza não nos afetam igualmente. Quanto às pessoas, Cabe escolher: Nos afetarem como natureza ou como coisa. Cabe a escolha ou a fusão. Dennis Zagha Bluwol Angkor, Camboja, 12/01/2014

A importância ética e cosmológica do conhecimento científico (2013)

Imagem
  A importância ética e cosmológica do conhecimento científico   As ciências, se bem entendidas (ou se bem mediadas, por um bom professor, por exemplo), podem nos dar o conhecimento necessário para que saiamos do centro do mundo, vejamos o mundo sem centros e atentemos para a incrivelmente enorme quantidade de redes de interdependências que formam aquilo que costumamos chamar de natureza.   As mudanças de escalas espaciais e temporais que conhecimentos científicos como a Astronomia, a Geologia, a Arqueologia, a Paleontologia, a Climatologia, a Antropologia, entre outros campos de investigação, podem gerar em nós, se bem vividas, podem nos induzir alterações cosmológicas profundas e fazer com que saiamos do “centro do mundo”.   Como ver-se no centro do mundo após uma boa mediação sobre a história e o tamanho do Universo, assim como sobre as distâncias astronômicas, a quantidade de estrelas e galáxias existentes e nossa localização periférica em apenas uma galáxia entr...

A mente e o mundo (2013)

Imagem
A mente e o mundo  O presente ensaio foi revisto e ampliado em 2023, e incorporado no artigo "Ensino de Geografia no Contexto das “Ciências da Natureza”: em busca de uma Educação Cosmológica Eticocêntrica", publicado no livro "Revisitando a teoria e prática a partir da formação de professores: programas PIBID e PRP" Quando observamos a maneira como as sociedades e os indivíduos se organizam - suas espacialidades e temporalidades expressas em suas paisagens -, estamos nos atentando, em realidade, para a maneira como tais pessoas vivem “o mundo” a partir do modo como o percebem e o enchem de significados, transformando mentalmente a miríade incontável de fenômenos e processos percebidos em algo com certa ordenação passível de ser vivida. Assim sendo, pode-se falar que há aí um caráter cosmológico, considerando que “cosmos”, termo usado primeiramente por Pitágoras, significa exatamente “ordem”, já que dependendo do modo como nossa mente está estruturada - ordenada - ...

A absurda cartografia do "eu" (2013)

Imagem
O presente ensaio foi revisto e ampliado em 2023, e incorporado no artigo "Ensino de Geografia no Contexto das “Ciências da Natureza”: em busca de uma Educação Cosmológica Eticocêntrica", publicado no livro "Revisitando a teoria e prática a partir da formação de professores: programas PIBID e PRP" A absurda cartografia do "eu" O que concebemos por “eu” molda o modo como delineamos o que é o mundo e o que somos nós em tal mundo. Pode-se destacar algumas características marcantes do “eu" em nossa sociedade. Tente cartografá-las! (a) O “eu” como centro do mundo: o mundo sou eu. Trata-se do comum comportamento no qual o egocentrismo alcança proporções absurdas, isto é, a visão de mundo que coloca o sujeito como centro do universo e o mundo como estando em sua função. Essa visão reflete a falta de capacidade de se passar do egoísmo infantil para visões mais adultas de mundo, nas quais o ente não se vê no centro do cosmos, e a falta de habilidade ...

Crise ecológica como crise cosmológica (2013)

Imagem
O presente ensaio foi revisto e ampliado em 2023, e incorporado no artigo "Ensino de Geografia no Contexto das “Ciências da Natureza”: em busca de uma Educação Cosmológica Eticocêntrica", publicado no livro "Revisitando a teoria e prática a partir da formação de professores: programas PIBID e PRP" Cada um de nós é um resultado momentâneo e em constante transformação de nossas trajetórias de vida, que já se entrecruzaram com outras incontáveis pessoas, animais, ares, terras, águas etc. e estão a todo instante se relacionando, em nossos “aquis” e “agoras”, com todas as pessoas, animais, ares, terras, águas etc. que nos cruzam e, indiretamente, com todas as pessoas, animais, ares, terras, águas etc. que já cruzaram as trajetórias dessas pessoas (...) e das pessoas (...) que cruzaram com tais pessoas (...), num processo de interdependência e impermanência que nos remete ao infinito. Assim sendo, nos termos de Doreen Massey, podemos entender os lugares como encontros d...

Literatura e aprimoramento ético pela ampliação e pela centração do/no mundo vivido

Imagem
Literatura e aprimoramento ético pela ampliação e pela centração do/no mundo vivido Ética, literatura e ampliação do mundo vivido Para que possamos tomar boas decisões de ordem ética, é essencial que consigamos nos colocar no lugar dos outros. Para realizarmos tal movimento, que expressa-se por um sair de nós mesmos, ajuda-nos a diversidade de experiências que possuímos, pois elas facilitam-nos o processo de tentarmos entender o que pode se passar com a alteridade ao ser afetada por certas circunstâncias. Contudo, nossas experiências de vida – mesmo que bem captadas por uma atenção bem desenvolvida – são limitadas. O número de experiências pelas quais realmente passamos é pequeno diante da imensa variedade de experiências vividas que formam o mundo humano. Sendo assim, formas variadas de contato com experiências alheias, para além de nossas experiências diretas, são de grande valor. Um exemplo é pelo contato com a literatura, a partir do qual podemos viver dramas alheios a nós, entrar ...

O que é matar? (uma reflexão sobre a sobre a diferença entre ovolactovegetarianismo e veganismo)

Imagem
  Para bem entender como um vegano pensa, vale abordar brevemente algo sobre a especificidade da visão vegana e sua imensa diferença em relação ao vegetarianismo comumente conhecido, o ovolactovegetarianismo. Para isso, comecemos com uma história: certa vez, em uma rede social, um conhecido publicou uma foto de um jovem parente segurando um peixe que acabara de pescar, com um comentário de que tal “experiência em família não tem preço”. Respondi então mostrando o preço que o peixe pagou: ser perfurado por um metal sentindo extrema dor, ser puxado para fora de seu habitat por este mesmo furo dolorido, ficar certo tempo fora da água – o que equivaleria para nós a ficar dentro da água, com toda a angústia de não respirar – ser manipulado por seres estranhos até ser jogado de volta para a água com toda a dor e desespero resultantes dessa experiência, podendo inclusive ter morrido em decorrência de uma infecção. Sua tréplica foi reafirmar que eles não o comeram, ele não foi para a panel...